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A Maneira Islâmica de Islamização
do:
Dr. Ahmad Shafaat
(1985)
A idéia geral sobre a forma como nossas
sociedades devem ser islamizadas é de que deve surgir um homem
forte, com um grande bastão, que deve forçar as pessoas a obedecer
as injunções da Shari'ah. As injunções que vêm à mente das pessoas
geralmente são aquelas que proíbem beber ou prescrevem determinadas
punições para o roubo, o adultério, etc..
É por causa desta compreensão que nós às vezes damos boas-vindas a
ditadores, especialmente quando estes ditadores sabem usar o Islam.
Mas tal compreensão da islamização não tem nada a ver com o Islam
autêntico. Porque de outra forma Deus teria escolhido o profeta do
Islam entre os reis ou generais militares do mundo, o que Ele
evidentemente não fêz.
Escolheu-o, ao contrário, entre os mais pobres e fracos da terra -
um órfão destituído de uma nação que já era uma das mais pobres no
mundo.
Mesmo após ter escolhido Seu profeta, Deus não lhe deu nenhuma
potência mundialmente irresistível para impor Sua lei.
De fato, durante a maior parte da vida do profeta, Deus manteve o
poder nas mãos de seus inimigos, que o perseguiram assim como aos
seus seguidores e os mantiveram sob pressão militar através de um
exército numericamente maior.
Deus finalmente deu ao profeta o poder político, mas quase
imediatamente depois que este poder foi dado, Deus o levou deste
mundo.
Deus não enviou o profeta com um bastão mas com conhecimento,
sabedoria e um livro revelado. Com isto ele procurou mudar os
corações e as mentes das pessoas.
Apelou à sua razão e ao seu senso de certo e errado, e então deixou-as
livre para decidir.
Disse a eles: " Não há nenhuma compulsão na religião. A verdade se
destaca do erro…" (2: 256)
Usou às vezes linguagem áspera e de censura, e às vezes palavras
doces. E às vezes desafiou para um debate: " Traga sua evidência, se
você estiver dizendo a verdade."
Mas todo este tempo seu objetivo era alcançar os corações e as
mentes das pessoas.
Depois do profeta, o trabalho de islamização deve ser feito pelos
ulamas, não pelos governantes. A menos que, naturalmente, os
governantes estejam entre os ulamas.
Existem dois tipos de ulama: ulama haqq e ulama batil.
Ulama haqq são aqueles que por causa da fé em seus corações fizeram
um trato com seu Senhor, de acordo com as seguintes palavras de
Deus:
" Deus comprou dos crentes suas vidas e suas possessões em retorno
pelo Paraíso." (9:
111)
Porque abriram mão do apego à vida deste mundo, não temem ninguém
exceto Allah e falam contra erros sérios que encontram em torno de
si. Tais ulamas surgem entre todos os muçulmanos e entre ambas as
denominações muçulmanas, xiitas e sunitas.
Os Ulama batil, por outro lado, estão ligados à vida deste mundo.
Declaram uma parte da verdade corânica enquanto distorcem ou
escondem uma outra parte. São estúpidos quando tratam de erros
básicos em suas sociedades, mas falam em voz alta quando tratam de
diferenças sem importância entre as denominações islâmicas ou de
temas superficiais. Estão frequentemente na folha de pagamento dos
governantes de seus países.
O trabalho de islamização começa com o ‘balagh’, a declaração da
verdade essencial.
De fato, de certo modo o ‘balagh’ é todo o trabalho de islamização.
O Qur'an sagrado fala sobre a missão do profeta: " O Mensageiro não
tem nenhuma obrigação, exceto levar a mensagem." (5:99)
Quando o ‘balagh’ é feito corretamente, isto é, quando os
ensinamentos do Islam são divulgados amplamente, sem subtração ou
distorção, certos desdobramentos ocorrem automaticamente na
sociedade e trazem a islamização.
É óbvio, entretanto, que o ‘balagh’ apropriado não pode ocorrer a
menos que exista na sociedade uma atmosfera em que as pessoas são
livres para expressar suas opiniões. Mas tal atmosfera não existe na
maioria das sociedades muçulmanas, que são governadas por reis e
ditadores repressivos.
Uma parte importante da islamização é, conseqüentemente, os ulama
haqq tentarem livrar os países muçulmanos destes governantes, e
assim remover as limitações impostas sobre a liberdade de expressão.
Article publié pour la première fois
dans le magazine "Al-Ummah"
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